Uma idéia simples que revolucionou os sistemas de segurança em todo o mundo. O lacre de plástico foi criado há mais de 40 anos, pelo engenheiro Eduardo Lima, em Paraíba so Sul, no RJ. Uma peça que uma vez fechada, só pode ser aberta se for violada. Hoje a família tem uma fábrica que produz 15 milhões de lacres por mês e emprega 315 pessoas.
Apresenta a grande vantagem de substituir os lacres de chumbo, material que abride o meio ambiente, pelo plástico, que pode ser reciclado. O lacre de segurança é encontrado em medidores água, de energia, placas de automóveis, e até ogivas nucleares.
Detalhe: A empresa investe 2 milhões de reais por ano em pesquisa para o desenvolvimento de novos produtos. Idéias simples podem mudar o mundo, gerar empregos, revolucinar a vida de muitas pessoas. É preciso acreditar.
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Semáforo que não desliga quando acaba a luz
Sempre pensei nesta questão. Quando acaba a luz, normalmente em épocas de tempestade, justamente nesta hora os semáforos deixam de funcionar, causando uma enorme confusão no trânsito. Parece que a tendência é que isso acabe, se esta invenção pegar. É um semáforo com lâmpadas LED comum, como alguns que já podem ser vistos nas grandes cidades (em BH, por exemplo, a Av Afonso Pena tem deles em toda a sua extensão), que além das vantagens de menor consumo de energia e maior vida útil, ainda traz um banco de baterias que impede o seu desligamento em caso de falta de energia. É uma idéia relativamente simples, que foi implementada por professores da USP.
Mais detalhes no Terra Tecnologia
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Invenções brasileiras - o relógio de pulso
Até o final do século XIX, os homens traziam seus patacões nas algibeiras ou suspensos em correntes nos bolsos dos coletes. Dizer as horas naquela época envolvia um breve mas impressionante ritual: retirar o relógio de seu compartimento, abrir a tampa e só aí anunciar as horas. Santos Dumont, quando se encontrava no ar, encontrou dificuldades de acompanhar o tempo (ele só podia ficar no ar por minutos). Então, portátil, só havia o relógio de bolso. Santos Dumont queria checar seu tempo de vôo em testes de velocidade mais rapidamente do que seria capaz com um relógio de bolso (ele chegou a improvisar um relógio de bolso amarrado ao pulso por um lenço). Santos-Dumont foi amigo de Louis Cartier e encomendou a ele um relógio mais fácil de usar do que o de bolso. Cartier criou em 1904 para Alberto Santos Dummont o relógio de pulso em formato quadrado - o modelo Tank, com pulseira de couro, que o relojoeiro denominou Santos e é reproduzido e vendido até hoje, com sucesso. O preço varia, conforme o modelo, entre US$ 1.600 e 2.500. Os suíços contestam que Cartier tenha sido o inventor do relógio de pulso, alegando que o criaram em 1790 . Santos Dumont inventou o relógio de pulso com a ajuda de uma velha conhecida dos brasileiros, a princesa Isabel. Quando a amiga lhe deu de presente uma medalha de São João Batista, amarrou-a no pulso, já que no pescoço poderia atrapalhá-lo durante os vôos. Aí teve o lampejo: era o lugar ideal para o relógio. Batizado de "modelo Santos", a novidade chegou ao mercado em 1911. "Infelizmente, aquele primeiro protótipo se perdeu, para o desespero da empresa Cartier", comenta Henrique Lins Barros.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Roçadeira brasileira - Multi Roçadeira Alfa
Um agricultor do Amapá inventou uma roçadeira para ajudá-lo no trato da lavoura e já conseguiu até vender o equipamento.
As árvores de laranja, limão e tangerina se espalham pela fazenda de José Alfaia Batista. Ele e mais dois trabalhadores tomam conta dos 9 hectares de plantação.
Muito serviço para pouca gente, principalmente, na hora de aparar o mato alto. Outro problema, já que uma boa roçadeira não sai por menos de R$3 mil.
A necessidade transformou o agricultor em inventor ele criou uma roçadeira sem nem sair da fazenda. Foi de um carrinho-de-mão velho e um mini-buggy sucateado que seu Alfaia fez a primeira roçadeira.
Do buggy, foi tirado o motor que foi acoplado à base do carrinho já sem a caçamba. Faltava uma lâmina para roçar que foi retirada do feixe de mola de um caminhão.
Quando o agricultor viu que a idéia deu certo resolveu investir na invenção. Começou a retirar a caçamba de todos os carrinhos-de-mão da propriedade para criar novas roçadeiras com alguns ajustes.
O motor, agora, é comprado em lojas especializadas. Um colete é colocado em volta do pescoço para garantir melhor manejo da máquina. É hora do teste.
Num movimento de vai-vém, a roçadeira corta e tritura o mato facilitando a absorção pelo solo. O capim vira matéria orgânica para a terra. Seu alfaia quer, agora, ganhar dinheiro com a invenção.
“A partir do momento que eu vi que deu certo, comecei a ver as facilidades que eu tinha para trabalhar com ela e o potencial dela, aí me preocupei em patentear”, diz Alfaia.
Outro argumento na hora da venda é o uso versátil do motor, numa região onde a maioria das fazendas não tem energia elétrica e o produtor não tem condições de comprar um motor para cada maquinário.
Acoplado a um esmeril o motor ajuda a amolar facas com uma polia pode ser usado no corte de madeira. Um instrumento chamado catitu, ajuda a ralar a mandioca. Serve até para um passeio de bote no lago.
Seu Alfaia já vendeu a agricultores da região 28 unidades do seu invento.
Fonte: Globo Rural (17/07/03)
A patente da invenção já foi obtida sob o número de PI02025642, e pode ser conferida na revista do INPI.
O autor aparece também no evento Amazontech, já como micro-empresário.
As árvores de laranja, limão e tangerina se espalham pela fazenda de José Alfaia Batista. Ele e mais dois trabalhadores tomam conta dos 9 hectares de plantação.
Muito serviço para pouca gente, principalmente, na hora de aparar o mato alto. Outro problema, já que uma boa roçadeira não sai por menos de R$3 mil.
A necessidade transformou o agricultor em inventor ele criou uma roçadeira sem nem sair da fazenda. Foi de um carrinho-de-mão velho e um mini-buggy sucateado que seu Alfaia fez a primeira roçadeira.
Do buggy, foi tirado o motor que foi acoplado à base do carrinho já sem a caçamba. Faltava uma lâmina para roçar que foi retirada do feixe de mola de um caminhão.
Quando o agricultor viu que a idéia deu certo resolveu investir na invenção. Começou a retirar a caçamba de todos os carrinhos-de-mão da propriedade para criar novas roçadeiras com alguns ajustes.
O motor, agora, é comprado em lojas especializadas. Um colete é colocado em volta do pescoço para garantir melhor manejo da máquina. É hora do teste.
Num movimento de vai-vém, a roçadeira corta e tritura o mato facilitando a absorção pelo solo. O capim vira matéria orgânica para a terra. Seu alfaia quer, agora, ganhar dinheiro com a invenção.
“A partir do momento que eu vi que deu certo, comecei a ver as facilidades que eu tinha para trabalhar com ela e o potencial dela, aí me preocupei em patentear”, diz Alfaia.
Outro argumento na hora da venda é o uso versátil do motor, numa região onde a maioria das fazendas não tem energia elétrica e o produtor não tem condições de comprar um motor para cada maquinário.
Acoplado a um esmeril o motor ajuda a amolar facas com uma polia pode ser usado no corte de madeira. Um instrumento chamado catitu, ajuda a ralar a mandioca. Serve até para um passeio de bote no lago.
Seu Alfaia já vendeu a agricultores da região 28 unidades do seu invento.
Fonte: Globo Rural (17/07/03)
A patente da invenção já foi obtida sob o número de PI02025642, e pode ser conferida na revista do INPI.
O autor aparece também no evento Amazontech, já como micro-empresário.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Associação Nacional dos Inventores no Programa do Jô
O presidente da Associação Nacional dos Inventores, Carlos Mazzei, visita o programa do Jô e fala sobre as invenções brasileiras e suas associação
Inovação tecnológica no Brasil está desprotegida, afirma especialista
Consultor internacional e pesquisador da área de transferência e comercialização de tecnologia, Robert Sherwood dedicou as últimas duas décadas à investigação do papel da propriedade intelectual em países em desenvolvimento.
Nesta semana, o norte-americano, um dos especialistas internacionais consultados para a elaboração da Lei de Inovação brasileira, apresentou, na sede da FAPESP, a palestra Successful commercialization of university and government-sourced technology: pitfalls and opportunities ("Comercialização bem-sucedida de tecnologia apoiada por governo e universidade: armadilhas e oportunidades").
Ciência que não atrai investidores
Em entrevista à Agência FAPESP, o consultor afirmou que a ciência produzida no Brasil tem alta qualidade, mas não resulta em produtos comerciais com freqüência por não atrair investidores privados globais. E o que afasta esses investimentos é a fragilidade do sistema brasileiro de propriedade intelectual.
Sherwood, que estudou no Harvard College, na Escola de Direito da Universidade Harvard e na Universidade Colúmbia, atuou na área de direito internacional e conduziu um diagnóstico de sistemas de propriedade intelectual na América Latina para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Brasilianista
A experiência o levou à criação de um modelo numérico de análise que permite avaliar sistemas de propriedade intelectual nacionais a partir da perspectiva de investidores privados. A abordagem foi aplicada a 18 países em desenvolvimento. Sherwood diz ter feito mais de 150 visitas ao Brasil desde 1972. Atualmente, visita o país três vezes ao ano.
Agência FAPESP – Por que o Brasil tem tanta dificuldade para transformar produção científica em inovações inseridas no mercado?
Robert Sherwood – O governo brasileiro investe recursos imensos em pesquisa, o que garante uma ciência de nível internacional. Mas o investimento privado global, necessário para transformar essa produção científica e tecnológica em produtos, não chega ao país. Os investidores globais relutam em colocar dinheiro no Brasil
Agência FAPESP – Qual é a causa dessa relutância?
Sherwood – Eles conhecem os altos riscos do investimento em inovação e, por isso, não querem colocar recursos em países com um sistema de propriedade intelectual fraco, como é o caso do Brasil. Esses investimentos acabam indo para os Estados Unidos.
Agência FAPESP – Poderia citar alguns dos pontos fracos do sistema brasileiro de propriedade intelectual?
Sherwood – Sem dúvida seria preciso fazer pelo menos alguns ajustes técnicos na Lei de Inovação. Não tenho certeza de qual seria o momento ideal para esses ajustes, mas a lei ainda tem um caráter experimental, dando mais importância à inovação com investimentos estatais do que ao fomento por meio de investimento privado. A exigência de edital para o licenciamento exclusivo de tecnologias desenvolvidas com financiamento do governo também é um ponto a ser revisto. Uma das necessidades mais importantes é uma ampla reestruturação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A Lei da Propriedade Industrial também tem artigos confusos.
Agência FAPESP – Como esses problemas afetam a comercialização de tecnologias? Poderia exemplificar?
Sherwood – Algumas das empresas start up, particularmente na área biológica e de saúde, estão lidando com problemas de propriedade intelectual. Digamos que uma empresa brasileira tente fazer avançar uma tecnologia original, proveniente do conhecimento produzido na universidade. É provável – a não ser que se trate de uma tecnologia muito simples – que sua capacidade para comercializar, que passa pelo desenvolvimento do produto ou do processo, exija o acesso a uma outra tecnologia estrangeira. Haverá situações em que o fornecedor dessa tecnologia intermediária se recusará a disponibilizá-la no Brasil, porque ela não será adequadamente protegida aqui. O desenvolvimento das tecnologias por empresas brasileiras será então retardado. Isso é parte dos efeitos invisíveis da fraqueza do sistema de proteção intelectual no Brasil.
Agência FAPESP – Além dos problemas da legislação, pode-se dizer que há obstáculos culturais? O cientista pensa pouco em inovação?
Sherwood – Acho que é muito importante que mais universidades se aproximem da comercialização de tecnologias. Seria fundamental que elas pensassem seus processos de uma maneira nova, entendendo a importância da propriedade intelectual para apoiar a comercialização. Assim elas estariam em posição de agir quando os políticos finalmente se voltarem para os problemas da propriedade intelectual. Em outras palavras, aqueles que estão fazendo invenções no Brasil precisam experimentar um pouco mais o processo de mudar para uma comercialização de sucesso em escala global.
Agência FAPESP – A pesquisa deveria ser mais voltada para o mercado?
Sherwood – Não se trata de ciência voltada exclusivamente para o mercado, mas seria preciso que o cientista tivesse a questão da propriedade intelectual em mente desde o começo de uma pesquisa. Ele poderia, antes de mais nada, verificar nos bancos de patentes internacionais se sua tecnologia não foi patenteada – o que destruiria o possível interesse de investidores. Os cientistas também deveriam ter contato mais próximo com quem entende de propriedade intelectual, para ter em mente que produtos podem ser protegidos. Outro ponto fundamental seria depositar o pedido de patente antes de publicar o artigo científico.
Agência FAPESP – Não há uma tensão entre a necessidade de publicar, para ter credibilidade e conseguir recursos, e a necessidade de proteger as descobertas?
Sherwood – Ambos são importantes. O cientista brasileiro publica muito e isso é importante para fazer avançar o conhecimento. Isso precisa continuar. Mas é preciso buscar patentes e olhar para onde estão os potenciais comerciais, em vez de desperdiçar essas possibilidades. É uma questão de ter certeza de que os pedidos de patente estão terminados antes que o artigo seja publicado. Não vejo incompatibilidade entre publicar e patentear. Assim como não vejo contradição entre ciência básica e ciência aplicada. Mesmo tendo o potencial de mercado em vista, o pesquisador pode fazer descobertas científicas de alta importância.
Agência FAPESP – Quanto o Brasil poderia melhorar seu desempenho de produção tecnológica com uma melhora do sistema de proteção intelectual?
Sherwood – Há muito tempo especialistas em todo o mundo ficam perplexos com o contraste entre a altíssima qualidade da ciência feita no Brasil e a pouca energia que essa produção tão boa coloca na base industrial do país. O potencial é realmente impressionante. E não é preciso muito para consertar essa fraqueza. O custo não é grande. Ao contrário, se o sistema de propriedade intelectual fosse forte o suficiente para trazer investimentos privados, substituindo os investimentos que o governo é forçado a fazer, haveria muito mais recursos públicos para outras partes da economia. Em vez de tentar impulsionar a inovação, esse dinheiro poderia ser remanejado para o sistema de saúde e educação.
Agência FAPESP – O senhor afirmou que a propriedade da patente é uma questão ilusória, que o mais importante é saber quem tem o poder de negociar o licenciamento. Poderia explicar esse ponto de vista?
Sherwood – A propriedade da patente não é de fato a questão crítica. O mais importante é a habilidade para negociar direitos para usar a patente com o investimento privado. Não importa quem seja o dono da patente é preciso eleger alguém que tenha sabedoria, inteligência e que seja uma pessoa de negócios para formular um arranjo no qual o dinheiro vai ser distribuído entre a fonte de recursos original do governo, a universidade, o departamento e o professor ou a equipe que fez o trabalho que gerou joint ventures de pesquisa.
Agência FAPESP – Poderia exemplificar?
Sherwood – Vamos dizer que há uma equipe de Israel em parceria com uma equipe da USP e elas fazem uma importante comercialização de uma nova tecnologia. Temos que ter certeza sobre como vamos distribuir os ganhos dessa comercialização, entre os israelenses e a USP. Geralmente são determinações muito complexas, mas não esperem para definir isso depois de o produto entrar no mercado, ou haverá briga. Desde o início do processo é preciso saber quem vai ficar com dinheiro. E, não importando a quem pertença a patente, será possível nomear alguém que faça a negociação com sabedoria.
Agência FAPESP – Qual a sua opinião sobre as incubadoras de empresas brasileiras? Elas estão conseguindo transferir tecnologia?
Sherwood – O movimento de incubadoras no Brasil tem um crescimento impressionante. A maior parte das universidades hoje têm incubadoras, mas a maioria delas foi criada sem nenhuma preocupação com propriedade intelectual. Poucas das que conheci compreenderam a importância da questão. A de Curitiba, por exemplo, exige que as pequenas empresas ingressantes mostrem sua capacidade de proteção intelectual. Creio que eles têm uma taxa de sucesso maior com suas empresas graduadas. Outras fazem um grande trabalho, mas não têm uma apreciação adequada para propriedade intelectual. Eu soube, por exemplo, de visitas de delegações chinesas a incubadoras brasileiras sem imposição de sigilo. Os chineses tiraram fotos e pediram cópias de diagramas. É um tipo suave de espionagem. Tecnologias brasileiras estariam beneficiando a indústria de base chinesa. Não tenho provas disso, mas é um temor justificável.
Fonte: Agência FAPESP
Nesta semana, o norte-americano, um dos especialistas internacionais consultados para a elaboração da Lei de Inovação brasileira, apresentou, na sede da FAPESP, a palestra Successful commercialization of university and government-sourced technology: pitfalls and opportunities ("Comercialização bem-sucedida de tecnologia apoiada por governo e universidade: armadilhas e oportunidades").
Ciência que não atrai investidores
Em entrevista à Agência FAPESP, o consultor afirmou que a ciência produzida no Brasil tem alta qualidade, mas não resulta em produtos comerciais com freqüência por não atrair investidores privados globais. E o que afasta esses investimentos é a fragilidade do sistema brasileiro de propriedade intelectual.
Sherwood, que estudou no Harvard College, na Escola de Direito da Universidade Harvard e na Universidade Colúmbia, atuou na área de direito internacional e conduziu um diagnóstico de sistemas de propriedade intelectual na América Latina para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Brasilianista
A experiência o levou à criação de um modelo numérico de análise que permite avaliar sistemas de propriedade intelectual nacionais a partir da perspectiva de investidores privados. A abordagem foi aplicada a 18 países em desenvolvimento. Sherwood diz ter feito mais de 150 visitas ao Brasil desde 1972. Atualmente, visita o país três vezes ao ano.
Agência FAPESP – Por que o Brasil tem tanta dificuldade para transformar produção científica em inovações inseridas no mercado?
Robert Sherwood – O governo brasileiro investe recursos imensos em pesquisa, o que garante uma ciência de nível internacional. Mas o investimento privado global, necessário para transformar essa produção científica e tecnológica em produtos, não chega ao país. Os investidores globais relutam em colocar dinheiro no Brasil
Agência FAPESP – Qual é a causa dessa relutância?
Sherwood – Eles conhecem os altos riscos do investimento em inovação e, por isso, não querem colocar recursos em países com um sistema de propriedade intelectual fraco, como é o caso do Brasil. Esses investimentos acabam indo para os Estados Unidos.
Agência FAPESP – Poderia citar alguns dos pontos fracos do sistema brasileiro de propriedade intelectual?
Sherwood – Sem dúvida seria preciso fazer pelo menos alguns ajustes técnicos na Lei de Inovação. Não tenho certeza de qual seria o momento ideal para esses ajustes, mas a lei ainda tem um caráter experimental, dando mais importância à inovação com investimentos estatais do que ao fomento por meio de investimento privado. A exigência de edital para o licenciamento exclusivo de tecnologias desenvolvidas com financiamento do governo também é um ponto a ser revisto. Uma das necessidades mais importantes é uma ampla reestruturação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A Lei da Propriedade Industrial também tem artigos confusos.
Agência FAPESP – Como esses problemas afetam a comercialização de tecnologias? Poderia exemplificar?
Sherwood – Algumas das empresas start up, particularmente na área biológica e de saúde, estão lidando com problemas de propriedade intelectual. Digamos que uma empresa brasileira tente fazer avançar uma tecnologia original, proveniente do conhecimento produzido na universidade. É provável – a não ser que se trate de uma tecnologia muito simples – que sua capacidade para comercializar, que passa pelo desenvolvimento do produto ou do processo, exija o acesso a uma outra tecnologia estrangeira. Haverá situações em que o fornecedor dessa tecnologia intermediária se recusará a disponibilizá-la no Brasil, porque ela não será adequadamente protegida aqui. O desenvolvimento das tecnologias por empresas brasileiras será então retardado. Isso é parte dos efeitos invisíveis da fraqueza do sistema de proteção intelectual no Brasil.
Agência FAPESP – Além dos problemas da legislação, pode-se dizer que há obstáculos culturais? O cientista pensa pouco em inovação?
Sherwood – Acho que é muito importante que mais universidades se aproximem da comercialização de tecnologias. Seria fundamental que elas pensassem seus processos de uma maneira nova, entendendo a importância da propriedade intelectual para apoiar a comercialização. Assim elas estariam em posição de agir quando os políticos finalmente se voltarem para os problemas da propriedade intelectual. Em outras palavras, aqueles que estão fazendo invenções no Brasil precisam experimentar um pouco mais o processo de mudar para uma comercialização de sucesso em escala global.
Agência FAPESP – A pesquisa deveria ser mais voltada para o mercado?
Sherwood – Não se trata de ciência voltada exclusivamente para o mercado, mas seria preciso que o cientista tivesse a questão da propriedade intelectual em mente desde o começo de uma pesquisa. Ele poderia, antes de mais nada, verificar nos bancos de patentes internacionais se sua tecnologia não foi patenteada – o que destruiria o possível interesse de investidores. Os cientistas também deveriam ter contato mais próximo com quem entende de propriedade intelectual, para ter em mente que produtos podem ser protegidos. Outro ponto fundamental seria depositar o pedido de patente antes de publicar o artigo científico.
Agência FAPESP – Não há uma tensão entre a necessidade de publicar, para ter credibilidade e conseguir recursos, e a necessidade de proteger as descobertas?
Sherwood – Ambos são importantes. O cientista brasileiro publica muito e isso é importante para fazer avançar o conhecimento. Isso precisa continuar. Mas é preciso buscar patentes e olhar para onde estão os potenciais comerciais, em vez de desperdiçar essas possibilidades. É uma questão de ter certeza de que os pedidos de patente estão terminados antes que o artigo seja publicado. Não vejo incompatibilidade entre publicar e patentear. Assim como não vejo contradição entre ciência básica e ciência aplicada. Mesmo tendo o potencial de mercado em vista, o pesquisador pode fazer descobertas científicas de alta importância.
Agência FAPESP – Quanto o Brasil poderia melhorar seu desempenho de produção tecnológica com uma melhora do sistema de proteção intelectual?
Sherwood – Há muito tempo especialistas em todo o mundo ficam perplexos com o contraste entre a altíssima qualidade da ciência feita no Brasil e a pouca energia que essa produção tão boa coloca na base industrial do país. O potencial é realmente impressionante. E não é preciso muito para consertar essa fraqueza. O custo não é grande. Ao contrário, se o sistema de propriedade intelectual fosse forte o suficiente para trazer investimentos privados, substituindo os investimentos que o governo é forçado a fazer, haveria muito mais recursos públicos para outras partes da economia. Em vez de tentar impulsionar a inovação, esse dinheiro poderia ser remanejado para o sistema de saúde e educação.
Agência FAPESP – O senhor afirmou que a propriedade da patente é uma questão ilusória, que o mais importante é saber quem tem o poder de negociar o licenciamento. Poderia explicar esse ponto de vista?
Sherwood – A propriedade da patente não é de fato a questão crítica. O mais importante é a habilidade para negociar direitos para usar a patente com o investimento privado. Não importa quem seja o dono da patente é preciso eleger alguém que tenha sabedoria, inteligência e que seja uma pessoa de negócios para formular um arranjo no qual o dinheiro vai ser distribuído entre a fonte de recursos original do governo, a universidade, o departamento e o professor ou a equipe que fez o trabalho que gerou joint ventures de pesquisa.
Agência FAPESP – Poderia exemplificar?
Sherwood – Vamos dizer que há uma equipe de Israel em parceria com uma equipe da USP e elas fazem uma importante comercialização de uma nova tecnologia. Temos que ter certeza sobre como vamos distribuir os ganhos dessa comercialização, entre os israelenses e a USP. Geralmente são determinações muito complexas, mas não esperem para definir isso depois de o produto entrar no mercado, ou haverá briga. Desde o início do processo é preciso saber quem vai ficar com dinheiro. E, não importando a quem pertença a patente, será possível nomear alguém que faça a negociação com sabedoria.
Agência FAPESP – Qual a sua opinião sobre as incubadoras de empresas brasileiras? Elas estão conseguindo transferir tecnologia?
Sherwood – O movimento de incubadoras no Brasil tem um crescimento impressionante. A maior parte das universidades hoje têm incubadoras, mas a maioria delas foi criada sem nenhuma preocupação com propriedade intelectual. Poucas das que conheci compreenderam a importância da questão. A de Curitiba, por exemplo, exige que as pequenas empresas ingressantes mostrem sua capacidade de proteção intelectual. Creio que eles têm uma taxa de sucesso maior com suas empresas graduadas. Outras fazem um grande trabalho, mas não têm uma apreciação adequada para propriedade intelectual. Eu soube, por exemplo, de visitas de delegações chinesas a incubadoras brasileiras sem imposição de sigilo. Os chineses tiraram fotos e pediram cópias de diagramas. É um tipo suave de espionagem. Tecnologias brasileiras estariam beneficiando a indústria de base chinesa. Não tenho provas disso, mas é um temor justificável.
Fonte: Agência FAPESP
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Cadeira de rodas que sobe escada
Quem convive com pessoas deficientes sabe a luta que é quando surgem as escadas no meio do caminho. O mundo não foi feito para cadeiras de rodas. Felizmente, existem pessoas que se preocupam com este problema. Recentemente, um inventor brasileiro apresentou na Globo uma cadeira de rodas que é capaz de subir, descer e até parar no meio de uma escada. Existe também uma similar americana, porém no modelo americano a pessoa precisa da ajuda de um corrimão. Em outro post mostrei um cara que fez isso por conta dele, com uma cadeira normal. Na minha opinião, a do brasileiro é muito melhor, pricipalmente porque não são todos os usuários de cadeiras de rodas que têm mobilidade e/ou forças suficientes nos braços. No video ele comenta que há também um modelo italiano, mas o que eu achei na internet é muito tosco, não tem nem motor e o cara desce a escada "escorregando".
A cadeira brasileira ainda não está à venda, mas quem quiser falar com o Eng. Ary de Almeida Prado Júnior, que é o responsável pelo projeto é só telefonar para (41) 8404-3349.
A cadeira brasileira ainda não está à venda, mas quem quiser falar com o Eng. Ary de Almeida Prado Júnior, que é o responsável pelo projeto é só telefonar para (41) 8404-3349.
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terça-feira, 29 de julho de 2008
Invenções brasileiras - Capacete com proteção
Aproveitando que acabei de mostrar um capacete eletrônico, acabo de ler sobre este prático capacete com proteção especial no pescoço contra linhas de pipa. Acho que a imagem já diz bastante coisa. Achei no site G1. O protótipo foi mostrado na 7ª Feira do Jovem Empreendedor, no interior de SP. Parabéns pro garoto!
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Recuperador de calor para chuveiros elétricos
Foi em pleno banho ao lavar os pés sujos de terra avermelhada que o tecnólogo José Geraldo de Magalhães teve uma idéia ao perceber a água quente se esvaindo pelo ralo. Pensou em desperdício e começou a imaginar um sistema que aproveitasse esse calor para ajudar a esquentar a própria água do chuveiro. Sete anos depois daquele dia na sua cidade natal, em Rio Vermelho, no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, Magalhães acompanha, desde setembro, a distribuição gratuita de um lote de 7 mil peças de seu invento para pessoas carentes da Região Metropolitana de Belo Horizonte num programa elaborado e financiado pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
Chamado de recuperador de calor para chuveiros elétricos, o sistema possibilita uma redução de 44% no gasto de energia elétrica de uma residência. O recuperador é produzido pela empresa Rewatt Ecológica, da qual Magalhães é um dos sócios. O funcionamento é simples. Em vez da água da caixa ou da rede de distribuição ir direto para o chuveiro, ela segue por uma mangueira e chega a uma plataforma de plástico reforçado instalada no chão do banheiro, com 58 centímetros (cm) de diâmetro e 4 cm de altura com tapete e estrutura antiderrapante.
Chamado de recuperador de calor para chuveiros elétricos, o sistema possibilita uma redução de 44% no gasto de energia elétrica de uma residência. O recuperador é produzido pela empresa Rewatt Ecológica, da qual Magalhães é um dos sócios. O funcionamento é simples. Em vez da água da caixa ou da rede de distribuição ir direto para o chuveiro, ela segue por uma mangueira e chega a uma plataforma de plástico reforçado instalada no chão do banheiro, com 58 centímetros (cm) de diâmetro e 4 cm de altura com tapete e estrutura antiderrapante.
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quarta-feira, 23 de julho de 2008
Carrinho motorizado para os catadores de papel
Vaticano, 8 de Dezembro de 2006.
BENEDICTUS PP. XVI
Este merece entrar no hall das engenhocas muito úteis, não só pela idéia em si, mas pelo fator econômico e social que a invenção pode proporcionar: melhoria das condições de vida dos coletores, aumento da dignidade dos mesmos e da relação deles com a sociedade, melhoria do problema do lixo com todas as vantagens ambientais que a reciclagem pode proporcionar, além de ser fonte de renda para muitas famílias, proporcionando um trabalho digno e honesto, porém muito desvalorizado no Brasil.
Confira:
Estudantes da UFMG desenvolvem carrinho para catador de papel
Protótipos motorizados de veículos para catadores de papel têm destaque na UFMG
terça-feira, 22 de julho de 2008
Invenções Brasileiras - o Bina
Também é invenção de Nicolai a tecnologia do Salto (Sinal de Advertência para Linha Telefônica Ocupada), ouvido durante a conversa telefônica e que anuncia que alguém está ligando. Todas as grandes telefônicas do planeta dispõem desse serviço. Nenhuma paga royalties ao brasileiro.
Blog da Inovação
Meu blog das engenhocas se dedica a mostrar inventos criativos de maneira descontraída, mas isso não significa que não tenha seriedade na sua abordagem. Um de meus objetivos é divulgar a cultura da inovação, pois acredito nela como motor da economia da cultura de um país. Assitir os exemplos de pessoas que saíram do mundo das idéias e construíram algo real é uma maneira de incentivar todos aqueles que têm boas idéias na cabeça. Devemos ter consciência de que só boas idéias não bastam, por isso é muito importante aprofundar o conhecimento em propriedade intelectual e inovação. O blog Inovação, da paraibana Gorete, é fonte de informações muito relevante. Já tem sua página inserida nos favoritos.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Invenções brasileiras - Escorredor de arroz
Mais uma invenção brasileira que muita gente nem imagina de onde veio nem quem inventou. A Dona Therezinha é essa aí da foto:

Quem diria que seu escorredor de arroz ganharia espaço no mercado e facilitaria a vida de tantas pessoas? E ainda traria uma fonte de renda?
ESCORREDOR DE ARROZ
Therezinha Beatriz Alves de Andrade Zorowich - 1959
Muitas vezes a gente pensa que coisas simples do dia-a-dia surgiram há muito tempo, quem sabe na Antiguidade ou até na Pré-História... Não é o caso da bacia conjugada a uma peneira que a gente usa para lavar o arroz: a criação, 100% brasileira, é da dona-de-casa Beatriz de Andrade, que vendeu os direitos do aparelho para um fabricante de brinquedos.
O invento fez o maior sucesso na Feira de Utilidades Domésticas de 1962. Como Beatriz recebia entre 2,5% e 10% das vendas, o escorredor deu uma bela força a seu orçamento familiar.
Fontes: Mundo Estranho, foto: Link
Quem diria que seu escorredor de arroz ganharia espaço no mercado e facilitaria a vida de tantas pessoas? E ainda traria uma fonte de renda?
ESCORREDOR DE ARROZ
Therezinha Beatriz Alves de Andrade Zorowich - 1959
Muitas vezes a gente pensa que coisas simples do dia-a-dia surgiram há muito tempo, quem sabe na Antiguidade ou até na Pré-História... Não é o caso da bacia conjugada a uma peneira que a gente usa para lavar o arroz: a criação, 100% brasileira, é da dona-de-casa Beatriz de Andrade, que vendeu os direitos do aparelho para um fabricante de brinquedos.
O invento fez o maior sucesso na Feira de Utilidades Domésticas de 1962. Como Beatriz recebia entre 2,5% e 10% das vendas, o escorredor deu uma bela força a seu orçamento familiar.
Fontes: Mundo Estranho, foto: Link
Invenções brasileiras - Máquina de escrever
Começo hoje uma série de postagens para exaltar as invenções tupiniquins. Pouca gente sabe, mas muitas coisas que estão aí e que todo mundo pensa que sempre existiram tiveram que sair da cabeça de alguém um dia. E o Brasil contribuiu - e muito - para que estas idéias muitas vezes simples modificassem o nosso mundo. Muitas vezes estes inventores são injustiçados e relegados ao esquecimento. O complexo de vira-lata contribui para que o brasileiro não acredite em sua capacidade inovadora.
Hoje começo com a máquina de escrever. A idéia original foi do Padre FRANCISCO JOÃO DE AZEVEDO - 1861.
A invenção do padre Azevedo (ao lado) parecia com um piano de 24 teclas que imprimiam letras num papel - para mudar de linha, era preciso pisar em um pedal na parte de baixo do aparelho. Alegando estar velho e doente, o padre entregou seu invento ao negociante George Napoleon Yost, com a promessa de que havia pessoas interessadas em fabricá-lo nos Estados Unidos. Péssima idéia...
Em 1874, o americano Christofer Sholes apresentou um modelo quase igual ao do padre Azevedo. A empresa Remington se interessou e passou a fabricar as máquinas, sem nem lembrar do brasileiro.
Fonte: Mundo Estranho
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